Post thumbnail

Mundial: O império chinês no League of Legends

POSTADO POR Ravena Dutra 07/12/2019

Chegamos à grande Final do Mundial de League of Legends e mais uma vez o confronto se dá entre a Europa e China. As expectativas estavam grandes pra G2, por conta da dominância que tiveram na LEC e pela “novas” estratégias de draft – a flexibilidade que faz a G2 ser especial. Mas ao mesmo tempo, grande parte do público esqueceu que até então o atual campeão de 2018 era a China. A FunPlus Phoenix veio de um 2018 muito fraco, chegando a ficar 8-11 no Summer Split da liga. Com a entrada de Tian e Doinb no roster em 2019, o time se renovou como uma Fênix, fechando a Summer Split 2019 14-1 e apresentando ao mundo um midlaner que trazia versatilidade para o time e que chamou bastante atenção com seus picks inusitados.   A grande final acabou em um 3×0 para a FPX com partidas bastante unilaterais, jogos limpos, com early games muito intensos e a macro bem jogada. A G2 teve muitos erros durante a série e a FPX soube punir bem seus adversários. Então, vamos dar uma olhada no jogo que garantiu a vitória da FPX nesse mundial!

Draft:

Começando os bans, a FPX retirou do jogo Syndra, Gragas, Kai’as, Olaf e Rek’sai. A Syndra foi banida por conta da flexibilidade que ela tem nas mãos da G2. O Gragas, porque é um jungler bastante utilizado pelo Jankos, e ao mesmo tempo inibe a escolha de Gragas + Yasuo. A Kai’sa vem como um ban que força o outro time a banir Xayah ou deixar a atiradora das penas para a FPX, sendo que ela é um pick prioritario para o time. E os dois junglers foram o foco na ultima rotação, já que eles tiram um pouco do poder do Lee Sin do começo do jogo.

Já pela G2, tivemos Pantheon, Qiyana, Rakan, Rumble e Akali. Pantheon e Qiyana são prioridade de ban. O Rakan vem como uma resposta para o ban de Kai’sa, tirando a dupla Xayah e Rakan que estava forte. Rumble é um pick conhecido do Doinb e que poderia tirar vantagem na matchup contra Veigar. E, por fim, Akali, que não podia ser escolhida pela G2 na segunda volta, pois poderia ser counterada pelo lado azul.

Nos picks, a FPX veio com Gangplank, Lee Sin, Galio, Xayah e Thresh, composição que tem como condição de vitória o crescimento e a criação de jogadas, com um começo de jogo forte e 2×2 e 3×3 vantajosos. A FPX tem total liberdade para criar jogadas, principalmente pós nível 6. Com um desengage bom e grande oportunidades de pickoff.

A G2 vem com um Ryze, Jarvan, Veigar, Ezreal e Nautilus, uma composição de scaling, focada um pouco mais em força/dano pós mid game. Jankos com o J4 pode criar muitas jogadas nesse começo, podendo procurar ganks mais cedo para buscar prioridade nas rotas. Com bastante controle de grupo, o time consegue trabalhar melhor em team fights. Os 2 solo laners têm push forte para jogarem Wunder para a side e empurrar a rota.

Jogo:

O jogo começou com a FPX apostando em uma jungle vertical pelo lado inferior do mapa, o que abre uma pressão no botside. Em uma tentativa de iniciação em cima do Perkz, Crips queima seu flash para utilizar sua Sentença e conseguir uma jogada, forçando um flash por parte do Ezreal.

O jogo já não começa bem para a botlane da G2,  seu Ezreal já havia perdido seu flash, sendo assim o LWX e Crisp aproveitaram de uma vantagem de nível e falta de escape dos seus inimigos, e Tian pelo lado inferior, onde eles poderiam forçar um dive, pressionaram a rota ao máximo e conseguiram acertar Mikyx em uma sentença do Tresh e enraizamento da Xayah, aplicando bastante dano no Nautilus, forçando um recuo e negando farm e xp ao Ezreal.  Aos 3 minutos de jogo, Perkz se encontrava com 0 de farm, o que atrasou muito de seu jogo. A FPX conta com Tian aplicando pressão pelo botside, fazendo com que, se continuarem a jogar dessa maneira, ganhem muita pressão de mapa. Enquanto isso, do outro lado do mapa, a G2 se via na vantagem, Wunder se adaptou bem ao matchup contra Gangplank e graças à divisão de mapa que trouxe Jankos para o lado superior do Rift, o Ryze ganhou pressão na rota.

Uma das condições de vitoria que a FPX sempre aproveita é a prioridade na rota do meio, o que abre muito espaço para Doinb procurar vantagens junto a seu time e abre mais pressão de mapa, visto que é um Galio, que pode utilizar de sua ult para chegar as rotas laterais com bastante facilidade e procurar dives também.

O tempo para ambos os times é bem precioso, de um lado a FPX precisa continuar nesse ritmo de jogo com pressão de mapa, forçando a G2 a trabalhar recuada. De outro a G2 precisa de tempo para escalar, mas se encontra contra uma faca de dois gumes, situação na qual o time opta por desistir de alguns objetivos e assim apostar em uma jogada mais segura, sabendo que qualquer erro poderia custar caro para a equipe. 

Nesse ultimo jogo ambos os times foram muito calculistas, sendo a primeira morte aos 14 minutos de partida, quando a G2 encontrou um encaixe para iniciar no Tian e garantir a eliminação do mesmo, aproveitando do posicionamento desfavorável do LWX, que vinha como a principal fonte de dano, e não lutaria junto com a FPX.

Parecia ser a volta da G2, um pouco mais encorajada e arriscando em algumas jogadas, obtenção de objetivos, rotas resetadas e jogadores com dois itens (o que ajudariam nos spike de dano). Aos 21 minutos de jogo, a G2 quase consegue a eliminação da Xayah em um x1 contra Veigar, onde ele tem mais vantagem por conta do alcance e combo E+Q+W e um pickoff em cima do Doinb, o que resultou em uma call ganaciosa do Mikyx na tentativa de puxar Doinb na sua âncora, que não acertou e foi punido rapidamente pelos chineses.  Crisp fez a jogada pelo time, além de ter salvo Doinb (que se encontrava sem flash) com sua lanterna, conseguiu uma Sentença e ultimate que foram fatais para o suporte da G2. E, a partir disso, se desdobrou uma luta, na qual a FPX conseguiu 2 eliminações contra um abate da G2 e uma torre para os europeus, o que de certo modo amortece as eliminações que sofreram por conta da pressão de mapa e objetivo. 

Quase aos 23 minutos de jogo, a G2 começa um Dragão da Montanha, em uma tentativa de ganhar vantagem para o time, mas ao mesmo tempo a FPX aposta em um crossmap em que adquirem o Barão. A G2, vendo o Barão ser feito, subiu para tentar lutar e contestar, mas Jankos chegou bem atrasado e assim não foi possível parar a FPX.

Com esse Barão e com as sides puxadas para os chineses, era só questão de tempo para ganhar um pouco mais de pressão nas sides para derrubarem a torre tier 1 do meio, o que garantiria melhor controle de mapa. Mas em um um push por parte do Doinb na rota superior, ele leva a segunda torre e garante a atenção da G2 que rotaciona para o topo na tentativa de eliminar Doinb. Entretanto, a FPX tinha várias maneiras de responder a essa rotação: Doinb tinha Zhonyas e ult, o que garantiria mais tempo até que seu time chegasse, e com 2 teleportes prontos pela Xayah e GP, poderiam comprar a briga, visto que Tian estava perto, ou utilizar da sua ultimate para sair. Mas ele acabou comprando a briga com a ajuda da ultimate do Tian que trouxe Caps para perto dele. A G2 tentou lutar em certo momento, mas com a eliminação de Caps e por conta da ult do GP, foi obrigada a se separar e Perkz foi pego em um pickoff. Logo em seguida, Wunder também, o que foi terrível para a G2 que só estava tentando manter a torre do meio, e em uma movimentação para o topo foram punidos.

A FPX tinha tudo setado para levar a rota superior, com 3 inimigos a menos, buff do barão e onda de minions chegando, era o que precisavam para puxar a torre e inibidor do top. Enquanto isso, Doinb rotaciona para o meio para levar a torre e garantir mais pressão de mapa. Após levar a torre do meio, a FPX rotaciona para tentar levar a segunda torre do bot, aproveitando da onda de minions chegando, mas a G2 se mobiliza para defender e tentar conseguir alguma eliminação, já que não tinham nada a perder e que nesse momento dependiam da eliminação de alguns membros da FPX, conseguindo tirar Doinb de jogo. Porém, os super minions começaram a adentrar a base da G2, o que forçou o recuo do time. Aos 29 minutos de jogo, a FPX começa mais um Barão, já que tem prioridade no objetivo. A G2 precisa pokear o máximo possível seus inimigos, para não “darem muito as caras”, mas Perkz também estava longe, o que pesou muito na hora de lutarem pós Barão. Após o Barão, a FPX vê a chance de lutar já que Doinb está tanque o suficiente para fazer a linha de frente para que seu time consiga bater. Com a eliminação de Jankos, Mikyx e Caps, a FPX vai rumo ao topo já que tinham superminions na base inimiga e agora, com barão, era uma questão de finalizar o jogo. A FPX dominou a LPL e não foi muito diferente no Mundial.

Adicionar comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *