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As mulheres shot callers do Overwatch

POSTADO POR Ana de Mattos 08/03/2019

Overwatch é um jogo complexo e extremamente competitivo. Algumas mulheres podem ficar intimidadas na hora de escolher uma categoria para se aperfeiçoar. Cada uma possui responsabilidades específicas e, ao contrário do que muitos pensam, a classe suporte oferece um desafio extra para as mulheres que decidem vestir este manto no Overwatch: o papel de shot caller.

Nos ranks mais altos do jogo, as funções de cada jogador tornam-se mais refinadas e definidas. Os times conseguem se coordenar melhor, com posicionamento mais organizado, ou seja, existe sempre uma frontline (os tanques), com os DPS atrás ou flanqueando, e uma backline, composta pelos suportes. São eles que possuem uma visão privilegiada do que está acontecendo, pois têm uma dimensão melhor do campo de batalha. Os suportes, então, necessitam passar as informações e coordenar os ataques e as defesas do time. As calls do shot caller precisam ser respeitadas. Como sabemos, infelizmente, ao longo da história dos jogos on-line, as mulheres têm dificuldade de serem levadas a sério e suas skills são sempre motivo de questionamento. Nesse caso, qual seria a melhor maneira de agir e cumprir o seu trabalho?

Hoje em dia, é possível encontrar jogadoras que servem de exemplo para muitas outras. É o caso da Fran, jogadora de suporte e streamer do Atlanta Reign, time da Overwatch League. Ela é capaz de jogar com muitos heróis, mas foi com a Ana e o Zenyatta que ela conseguiu atingir o Top 50 do modo competitivo. A Fran não tem receio de falar no microfone e ser “mandona”. Afinal, é responsabilidade dela mandar o time focar no alvo que escolheu para lançar o orbe da discórdia, por exemplo. É ela quem avisa ao time que o Winston precisa de ajuda, enquanto tenta mantê-lo vivo a todo custo. Se as calls dela forem ignoradas, o time perde a eficácia. Para muitos, é difícil admitir que o time tem chefe, e essa chefe é uma mulher.

Além de visão de jogo, a shot caller precisa ter calma, pois quando uma call não dá certo, é muito fácil ser culpada pelo resultado e acabar perdendo o pouco de respeito e moral que adquiriu nas calls anteriores. É por isso que não faz sentido nenhum que as jogadoras dessa classe sejam alvo de zombaria, sendo tidas como “passivas” e sem skill. Vendo a Fran jogar, é possível observar o quão segura de si ela precisa ser para ajudar o time, e isso transparece na sua personalidade arrojada. É fundamental não perder a compostura, ter uma atitude positiva para incentivar o time (e manter a sanidade mental), saber o momento de trocar o herói, admitir culpa e nunca ter medo de fazer autocrítica.

É importante que um time tenha apenas uma pessoa fazendo as calls principais, senão a comunicação pode ficar confusa e atrapalhar a coordenação dos jogadores. É imprescindível que todos foquem sempre no mesmo alvo, porque ele pode estar com orbe da discórdia, pode ter levado uma granada anticura da Ana, ou pode apenas estar mal posicionado. É comum ver jogadores que jogam de suporte darem entrevistas completamente roucos após uma competição.

Em suma, não é possível ser uma ótima jogadora de suporte e evitar o papel de liderança. Nem todo jogador é capaz de executar todas as funções que são requisitadas do suporte, tampouco conseguem lidar com o peso adicional em suas costas. Portanto, é uma grande injustiça desmerecer o esforço do suporte/shot caller do time, que precisa curar, coordenar ataques e defesas, observar atentamente o que está acontecendo na partida e, ao mesmo tempo, ser alvo constante dos DPS do outro time.

Tradutora que resolveu abrir as asas e virar Game Designer. Main McCree nas horas vagas.

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