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A DreamHack Rio 2019 chegou ao fim, o evento que já é mundialmente conhecido, agora teve a sua primeira edição na Cidade Maravilhosa, durante o feriado de 19, 20 e 21 de abril. Primeiramente era esperado um evento com três arenas para os campeonatos de Rainbow Six, PUBG e CS:GO, mas como anunciado pelo evento, por motivos de força maior, cancelaram todas as atividades de R6 e PUBG, restando assim apenas uma arena com os jogos de CS:GO e as demais atividades. O evento ocorreu normalmente, mas alguns imprevistos levaram a atrasos nos  jogos, o que deixou o publico bastante frustrado.

Mas o que rolou na DH?

Além de acompanhar a DreamHack OPEN 2019, vibrando e torcendo para o seu time de coração levar para casa essa vitória, teve Stand da esport Magament, onde você podia desafiar seu amigo para um x1, teve presença confirmada do Rexpeita (a marca de roupa do brTT) e até adquirir seu manto da INTZ, no stand com diteiro a pedir autógrafo dos meninos. E o que não faltou foi a oportunidade de tirar uma foto com o seu grande ídolo, os jogadores estavam super acessíveis passeando pela arena onde a qualquer momento você poderia esbarrar com o SHRIMP, por exemplo, e claro, o que não podia falta nos eventos do segmento, cosplayers. O evento estava bem concentrado por conta dos cancelamentos, então era possível andar de um lado para outro bem rápido. Os stand de comidas estavam bem espalhadas por todo o evento e apesar de todos os problemas e imprevistos, acreditamos sim que a DreamHack ainda poderá fazer um grande evento numa segunda edição, se derem mais uma chance.

Agora para compensar a falta dos torneios femininos que estávamos ansiosas, esbarramos com duas mulheres incríveis do esports e não poderíamos deixar de bater aquele papo com elas.

Adriene “Lovett”, diretora do time de Rainbow Six Celestial Wolves Gaming, conversou conosco da YGG sobre os cancelamentos dos jogos na arena de R6, onde os times femininos disputariam a final contra os times masculinos.

Como vocês se sentiram com o cancelamento da participação dos times femininos na DH Rio?

“Rolou uma frustração, porque a DreamHack é sonho de todo jogador e de todo profissional que trabalha com esports, é uma organização muito séria, um evento internacional e ter uma edição no Brasil seria algo incrível, ainda mais com todas as atrações que haviam sido prometidas e como teve a qualificatória online com os times femininos e masculinos, quando chegou a notícia que não haveria mais os jogos, caiu uma tristeza para todo o cenário, ainda mais que as oportunidades para os times femininos são diferentes dos masculinos. A gente nunca sabe quando vai ter outra oportunidade dessas, principalmente porque disputaríamos contra os meninos.”

Você acha que essa situação desmotiva as meninas a continuarem jogando, além de ter que aturar todo rage e preconceito dentro dos jogos? E o que podemos fazer para reverter isso?

“O cenário feminino atual não é o ideal, mas é uma porta de entrada, principalmente para meninas que não se sentem confortáveis em jogar contra os meninos, porque elas sofrem rage e estão sempre nesse ambiente tóxico, então se sentem mais confortáveis em jogar com outras mulheres e isso da a oportunidade de aparecerem jogadoras incríveis, que jogam muito e que muitas vezes batem de frente contra os meninos, porque não há nada que as impeça de jogar contra eles, mas eu acho que o ideal  foi o modelo que a DH prometeu, com qualify separadas e depois colocar uns contra os outros. Claro que a gente veio se preparando psicologicamente, porque sabíamos que aqui além do nervosismo de jogar presencialmente, numa tela enorme, iríamos lidar com ofensas que viriam com isso. Então o ideal é que os campeonatos sejam mistos, mas que dê essa abertura e incentive as meninas a ingressarem e competirem de verdade.”

Sabemos que por trás, na organização, o número de mulheres que estão envolvidas com esports é tão pequeno quanto. Como você se sente nessa posição em meio a tanto homem?

“Trabalhar com esports é como trabalhar nos esportes tradicionais, é um ambiente machista ainda pelo número maior de homens no meio.

Quando se trata de esports, estão vindo tantos investimentos que homens mais velhos vêm junto, então o machismo é reforçado. A gente tenta falar com segurança e fazer o que a gente sabe, pois estudamos para isso e nos impomos. Além de tudo dar apoio as mulheres, pois quanto mais mulheres entrarem no cenário, melhor.”

Também tivemos a oportunidade de falar com a Evelyn “Firevy” Lesniki. Evelyn joga como suporte no time da Nocaute E-sports e estiveram presente no evento competindo.

Como foi a sua experiência sendo a única jogadora no Campeonato aqui na DH?

“Eu sou a única jogadora a competir lá na Bahia, sempre tiveram outras meninas jogando, mas no competitivo, lá na Bahia, eu era a única jogando, então eu me acostumei. Mas sempre tem aquela pressão, de por eu ser a única menina aqui, vão me focar achando que eu sou ruim, mas quando eu estou jogando, eu esqueço disso.”

Você acha que falta investimento e incentivo para que tenha mais mulheres jogando?

“Eu acho que falta um pouco de investimento, talvez, mas falta também o querer das mulheres, não tem tantas mulheres jogando quanto homens. E se alguma mulher quiser, ela pode chegar aqui onde eu estou e até além.”

Temos aqui hoje a Jessica, que está narrando os jogos de League of Legends. Você acha que mulheres conseguem participar profissionalmente no meio de esports, seja narrando ou jogando, ou falta um incentivo?

“Eu acho que falta o querer, como eu disse anteriormente, mas também é uma questão de incentivo, ser narradora ou jogadora, qualquer uma consegue e não é o sexo que influencia na hora do jogo. Mas a cultura de jogos sempre foi voltada para os homens da mesma forma como brincar de bonecas era voltada para mulheres, tanto que eu só me “enfiei” nesse meio porque eu tenho um irmão, então desde sempre eu jogo no Playstation e depois fui para o computador etc. Essa é história de muitas outras mulheres também, quando eu encontro outras mulheres que jogam é sempre a mesma coisa, então não é algo cultural para nós mulheres.”

Ficamos muito felizes em conseguirmos encontrar meninas tão maravilhosas e que isso possa inspirar outras mulheres a seguirem seus sonhos dentro do esports. Comente aqui em baixo o que vocês acharam do bate papo e do resumo do evento.

Fundadora do You Go Girls, apaixonada pela cultura pop/geek e games. Sempre ouvi das pessoas que jogos, vídeo games e afins eram coisas de menino e que por muito tempo acreditei, hoje busco aumentar mais a participação das mulheres nesse cenário, incentivar as mulheres que gostam a se mostrarem e criar mais oportunidades para elas. #JogueComoUmaGarota

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