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Há pouco tempo depois do caso da Gabriela “gabicattuzzo” Cattuzzo que mobilizou o Twitter com a polêmica atitude da Razer e os casos de assédios que recorrentemente vemos streamers sofrerem, uma nova ideia nasceu e promete trazer mais segurança para as mulheres que usam a Twitch como plataforma. O ByeTrash é um bot em desenvolvimento para que faça um filtro no chat e dê ban permanente em quem cometer qualquer tipo de assédio ou toxicidade. As streamers que aderirem poderão ter maior controle dos views e estes serem penalizados não conseguindo comentar mais as lives caso tenha cometido alguma toxicidade ou assédio, tornando o chat mais saudável. E o diferencial é que quando um user receber o ban, ele automaticamente é banido de todos os canais que usarem o ByeTrash e as streamers poderão ver no dashboard do bot, assim facilitando um longo trabalho já que normalmente essas pessoas participam de vários canais.

A ideia foi idealizada e fundada por Pedro Fracassi, 16, cursando o Ensino Médio e a gerente de produto que o apoiou desde o início, Isabelle Samways, 24, graduanda de análise e desenvolvimento de sistemas. Ainda contam com uma equipe de mais de 50 colaboradores voluntários, prometendo ser uma ferramenta que ajuda principalmente as mulheres e evite que o chat continue tão tóxico dentro do cenário dos games. Fizemos uma breve entrevista que vocês podem conferir. ♥

(Pedro)

Como surgiu a ideia do ByeTrash?

“Essa discussão sobre assédio e toxicidade com mulheres na comunidade gamers tava em alta, por causa do que rolou com a Gabi, aí eu pensei que daria pra usar meu conhecimento em programação pra tentar ajudar as minas. Tweetei sobre a ideia, e no outro dia o tweet já tava com mais de 9000 likes.”

E a ideia vindo de um menino tão novo como você, essa situação da Gabi Cattuzzo, mexeu com você de alguma forma?

“Mexeu porque tenho várias amigas que jogam e me contam o que passam. Às vezes até quando jogo com elas eu presencio essas situações chatas e mesmo não estando inserido em nenhuma minoria, meu círculo de amigos é formado quase todo por gente que tá nelas, então eu acabo presenciando bastante o que acontece.”

E vimos que você solicitou um formulário como uma pesquisa para as mulheres que stremam, vocês receberam alguma sugestão interessante, como que foi esse feedback?

“Ah, esse formulário foi das meninas de design. Elas querem entender nosso público pra poder montar nossa identidade visual em cima disso. Mas de feedback, já veio bastante coisa legal. Hoje mesmo deram a ideia de implementar um medidor de toxicidade, para podermos trabalhar em diminuir isso nos chats e analisar se a plataforma está sendo efetiva. Teve gente que pediu para implementar em outras plataformas também. No começo o bot vai ser só pra Twitch, mas a gente já tá planejando expandir para poder melhorar a qualidade dos chats de outras plataformas.”

E vocês já tem noção de como vai ser a arte visual, algum spoiler para gente? Vocês tem uma data estimada para o lançamento?

“Puts, pior que não. As meninas fecharam aquele formulário hoje, e vão começar a bolar a identidade visual amanhã. Posso spoilar que talvez a gente tenha uma mascote, que vai devorar o lixo dos chats (risos). “

A data de lançamento não se sabe ainda, mas de 0 a 100%, quanto vocês acham que já produziram?

“Uns 10%? Mas a partir de agora começa a acelerar, acabamos de fechar o MVP, que é o “produto” pro lançamento. Então agora a gente começa a pôr a mão na massa mesmo, programar e etc.”

(Belle)

Vamos lá, antes de tudo, o bot está sendo desenvolvido especificamente para a Twitch ou também outras plataformas, como o Discord?

“Por enquanto, apenas pra twitch, vamos focar nela e depois quem sabe ir pra outras plataformas.”

Como vai funcionar o bot dentro de um canal?

“A ideia é que o usuário seja banido por uma streamer e ele apareça numa lista para todas as outras streamers que usam o bot, e com alguns critérios definidos, elas decidem se aquele usuário tbm vai ser banido do chat delas ou não fazendo assim com que o usuário que assediou, por exemplo, não consiga fazer o mesmo com outras streamers, pelo menos não com aquele nome de usuário.

As streamers terão uma dashboard que conseguirão controlar algumas configurações, como essa ali, além de ver os usuários ja banidos na live delas, incluir descrições, prints, “provas” do banimento. Nós, enquanto bot, vamos salvar o log de chat do usuário banido também como prova do banimento.”

Haverá uma lista de palavras e frases pré-definidas catalogadas?

“Então, a gente não vai trabalhar com listas de palavras, pelo menos não é a intenção no momento.”

Então o ban vai ser para responder o chat, não necessariamente vai perder a “inscrição” do canal?

“Isso, pelo que vimos com o twitch, parece que não é viável fazer isso. Nem a twitch tem (pelo menos foi o que a galera viu), é mais pra ele perder acesso a falar besteira do que de fato ver as lives.”

Imagino que vocês devem ter recebido muito apoio, sentimos o cenário muito fragilizado e impune, infelizmente. Você comentou que não joga nenhum jogo específico, mas o que espera com o ByeTrash?

“Recebemos muito apoio, ainda bem! o Pedro me pediu ajuda com a ideia inicial, eu perguntei se podia divulgar, ele deixou, depois disso vieram inúmeras pessoas querendo ajudar de alguma forma, mandando energias positivas e etc. chegou num ponto que tivemos que recusar algumas pessoas porque já tinha gente demais! hahaha eu acredito em ambientes seguros para todos, independente de qual ambiente. acredito também que a comunidade deve se ajudar pra tornar isso possível, ajudando as minorias a se sentirem bem onde estão. além de resolver problemas com linhas de código. eu espero muito que o bot ajude as minorias a se sentirem mais seguras a streamar e trabalhar em paz, como ja deveria ser desde o começo.”

Todo o investimento está sendo diretamente seu e dos colaboradores. Existe alguma forma de ajuda caso alguém queira contribuir?

“Por enquanto ainda não criamos uma forma de arrecadar ajuda monetária, estamos pensando ainda em como fazer isso, ate pra facilitar pra streamers caso queiram fazer doações pro projeto e etc. por enquanto, a forma de contribuir é com o trabalho voluntario.”

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