Post thumbnail

Estamos acostumadas a ouvir que mulheres devem ser mais femininas, e muito pelo moldes da sociedade que de forma histórica, afastaram as mulheres lentamente da área das exatas e tecnologia. O surgimento do perfil “geek” inteligente e anti-social foi instaurado nos anos 60 e a masculinização da área de informática foi dominado predominantemente pelos homens. Ao contrário do que pensam, muitas mulheres foram impactantes na área da tecnologia e informação, e pouco sabemos sobre os feitos das mesmas, normalmente conhecemos e estudamos homens revolucionários.

O desafio das mulheres em ambientes corporativos – que em sua maioria ainda são formados por homens – são muitos. A desigualdade salarial pode chegar a 30% a menos que os homens de acordo com dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad) do IBGE, a desvalorização do seu trabalho e profissionalismo, desencorajamento a ter filhos e ser afastada do cargo, falta de oportunidade para qualificação e aperfeiçoamento visto que a maioria dos homens priorizam outros homens como seus vices em hierarquia, entre outras barreiras que atingem diretamente apenas um gênero: feminino.

Reprogramando o Sistema

Podemos mudar esse pensamento engessado informando, enaltecendo e dando visibilidade que não foi somente Alan Turing e Steve Jobs revolucionários. Precisamos incluir a diversidade de gênero em tecnologia e desconstruir a naturalização do que é entendido como “isso é coisa de homem!” e diversificar a área como uma possibilidade de carreira para as mulheres também.  

A Sociedade Brasileira de Computação (SBC) possui o programa Meninas Digitais, que organiza aulas de robótica, oficinas e minicursos sobre desenvolvimento web, jogos computacionais, construção de páginas pessoais, blogs e podcasting, além de palestras com a apresentação de casos de sucessos da participação feminina na área. Além de diversas iniciativas brasileiras de mulheres que também resolveram dar espaço para outras mulheres: Reprograma, Minas Programam, Maria Lab, Django Girls, Desprograme, WoMakersCode e Rails Girls são alguns exemplos. 

E além disso o papel importante que as empresas em construir espaços de trabalho que rejeitem o machismo, o sexismo, a misoginia e estimulem a igualdade de gênero. Uma vez que se formam nas universidades e entram formalmente na indústria, as meninas devem ser amparadas em seu ambiente de trabalho com políticas de recrutamento e igualdade.

De Ada Lovelace a Margherita Hack, vamos conhecer essas mulheres e seus feitos? E além dessas, também temos muitas outras para inspirarem.

  • Joan Clarke: Foi uma criptoanalista e numismata inglesa, mais conhecida pelo seu trabalho como decodificadora de mensagens nazistas durante a II Guerra Mundial que possibilitou salvar inúmeras vidas. Também foi amiga, confidente e ex-noiva de Alan Turing.
  • Dorothy Johnson Vaughan: Formou-se em Matemática e ingressou na NACA, agência que viria a se tornar a NASA, em 1943. Especializou-se em computação e seis anos depois chefiou um grupo composto somente por mulheres afro-americanas formadas em matemática. Dominava computação eletrônica, programação e o processo operacional da primeira máquina IBM usada pelo órgão governamental. Aposentou-se em 1971. Sua história é contada no filme ‘Estrelas Além do Tempo’.
  • Katherine Coleman Goble Johnson: Cientista formada em física e matemática, fez história na corrida espacial americana: calculou a trajetória para o Projeto Mercúrio (primeiro projeto tripulado da NASA) e para o voo da Apollo 11 (que levou o homem à Lua). Afro-americana, contribuiu imensamente para a agência em uma época em que os EUA ainda institucionalizaram a segregação racial. Recebeu a Medalha Presidencial da Liberdade em 2015, maior honra que o governo dos EUA concede a civis. Sua história é contada no filme ‘Estrelas Além do Tempo’.
  • Mary Winston Jackson: Foi autora e co-autora de diversos relatórios de pesquisa e destacou-se na NASA, onde começou a trabalhar em 1951. Para poder continuar seus experimentos na Instituição, teve que cursar engenharia, sendo a primeira mulher negra engenheira da Nasa. Pesquisou principalmente a camada limite de ar em torno de aviões e fez experimentos com túneis de vento. Sua história é contada no filme ‘Estrelas Além do Tempo’.
  • Karen Spärck Jones: Criou o conceito de “Frequência Inversa do Documento” (IDF na sigla em inglês). O IDF é usado na maioria dos mecanismos de busca atuais, geralmente utilizando a frequência tf-idf, e foi introduzido em artigo de 1972. 
  • Susan Kare: Influenciou a iconografia da computação. Começou a trabalhar na Apple em 1982, criando a interface gráfica para o sistema operacional do primeiro Macintosh, o 128k lançado em 1984. Ela criou os ícones de salvar (no formato de disquete), lixeira, alerta, relógio e paint (balde de tinta) entre outros que são usados até hoje. Susan também projetou a primeira fonte com espaçamento proporcionalmente criado para o meio digital, com o objetivo de ser tão legível quanto as letras nas páginas de um livro.
  • Carol Shaw: É conhecida como a primeira mulher designer de games. Trabalhou na Atari, Tandem Computers e Activision. Seu cargo oficial na Atari era de Engenheira de Software e ela atuou no projeto Atari Basic Reference Manual. Na Activision, Carol criou seu jogo mais famoso, o River Raid. Entre outros jogos feitos por Carol estão Polo (não lançado), Happy Trails, Video Checkers, 3-D Tic-Tac-Toe, Super Breakout, Othello e Harbor Escape.
  • Michelle Simmons: Professora de Física na Universidade de South Wales, na Austrália, é uma das cientistas mais importantes em sua área. Atualmente, ela e seu time avaliam a possibilidade de construção do primeiro computador quântico, usando principalmente os elementos silício e germânio para construir dispositivos em escala atômica. Eles são a única equipe no mundo todo capaz de produzir dispositivos de silício com a precisão necessária e já desenvolveram o menor transistor do mundo, com um único átomo. Ela já publicou mais de 360 artigos nas revistas científicas mais prestigiadas do mundo, incluindo a Nature e a Science.


Adicionar comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *